Ao nascer não reconheci o mundo aqui fora. Estava
tão quentinho e calmo dentro da barriga da mamãe. Via nos olhos dela, a
esperança. E no colo do meu pai, o aconchego. Não imaginaria que o ‘mundo’ aqui
fora, fosse tão difícil. Tão difícil que chega a apertar mais do que quando a
minha mãe lavava louça com a barriga encostada na pia. O problema é que ela
nunca colocava o avental e eu sentia aquela água gelada nos meus pezinhos.
Finalmente, eu cresci durante uma infância
conturbada dentro da casa da vovó, que fazia pães de mel pra vender e bolinho
de chuva pra comer com o café da tarde. Infância onde eu cortava os cabelos das
Barbies e sempre esperava crescer de novo. Eu não sei porque, mas isso nunca
aconteceu.
Infância com os pés na areia – diferente daquela
água gelada na barriga da mamãe encostada na pia – onde tudo que eu me
importava era arrumar a minha casinha de bonecas quando chegasse em casa,
depois de ver os amigos na escola.
Nunca pensei que sentiria falta da minha
infância. Ser adulto é muito difícil, é complicado. Muitos problemas a serem
resolvidos e pouco tempo eu tinha para resolve-los.
Pois agora, sou mulher. Tenho
responsabilidades. Amores ... – Quanto
amores eu tive mesmo? – Paixão e intensidade
em tudo que faço.
“Já chegou na faculdade?”. Nossa! Como as
coisas aconteceram rápido. A escolha da carreira, a procura do homem, o sonho
de formar uma família, casar e ter filhos. Tudo com o tempo, vai se ajeitando.
Meio sem jeito, desengonçado, mas só o tempo dirá se estamos no caminho certo
para a felicidade.
E ao morrer, não quero me arrepender de
nada. Quer dizer ... das coisas que eu não fiz. Tudo que fiz em vida, valerá de
um aprendizado para o meu próprio ego. Ao morrer, eu só quero um coração tranqüilo,
cheio de paz e a consciência de “dever cumprido”.
Carolina Cardoso Cestari
R.A.: 6042389
R.A.: 6042389
Jornalismo - Noturno - sala 201B
Turma: 010201c16