A escuridão domina o ambiente, uma tempestade de granizo cai
lá fora e meu único desejo é livrar-me dessa prisão que tanto me atormenta,
ainda que fosse para ficar debaixo daquela chuva.
Já serão duas horas da manhã, três, quatro? Que diferença faz, se sei que cedo não sairei desse cárcere.
Não é minha culpa se aqui vim parar, foram outros que injustamente me colocaram neste lugar. Infelizmente não posso provar isso ainda, pois não me entenderiam, e mesmo que me entendessem, não aceitariam meus argumentos. Para eles eu não tenho direito de escolher. Visto o que eles querem, como o que me oferecem e só saio daqui com o acompanhamento de um deles.
Não adianta eu nem sequer sonhar em fugir daqui, as grades que me aprisionam são intransponíveis por mim, ser tão frágil diante dessa muralha.
Ainda me lembro do momento em que adentrei neste local. As trevas já se faziam lá fora. Após uma frugal refeição fui conduzido a meu alojamento, uma verdadeira jaula. Às vezes sinto-me como um animal selvagem, preso por não ser capaz de responder por todos os meus atos. Não vejo nada de mau em seguir meus instintos. É uma pena que sou um dos poucos que pensa assim.
Se eu gritar será pior, já tentei outras vezes e o resultado não foi positivo: uma voz grossa e mal humorada me ameaçava.
Minha única opção é esperar pelo novo dia que já vem chegando, no silêncio e na solidão aguardo resignado pela aurora.
Quando sinto o desespero subir a minha mente, começo a pensar em meu passado. Procuro recordações de meus delitos, mas apesar de possuir uma memória fresca, não consigo encontrar culpa que me condene ipso facto a viver nesta prisão.
No momento em que o tédio já me dominava, um raio de luz invade o ambiente e expulsa as trevas que tanto me amedrontavam. Olho para a janela e reparo que a chuva cessou, o céu se abriu e o sol timidamente ilumina as árvores, as casas, os prédios... Vejo em tudo isso um prenúncio da liberdade tão esperada.
Os pássaros despertam alegres e dispostos, cantando por todo lugar e voando para onde seus instintos sopram. Que inveja! Se eu pudesse pelo menos por um dia ter asas e voar...
“- Você não dormiu de novo?” Afirma uma voz, rompendo o silêncio da manhã – apesar de me sentir incriminado pela pergunta, percebo que ela é feita por quem me quer muito bem.
Aos poucos começo a perceber que o que para mim parece uma prisão, na verdade é uma proteção, e que apesar de não me sentir bem naquele lugar, posso ter a certeza de sempre encontrar pela manhã alguém que me ama.
Minha mãe me retira do berço e me consola. Agora nos braços dela sinto-me totalmente seguro e tranquilo para me entregar ao sono dos justos.
Emílio Portugal Coutinho
RA: 4678343
Já serão duas horas da manhã, três, quatro? Que diferença faz, se sei que cedo não sairei desse cárcere.
Não é minha culpa se aqui vim parar, foram outros que injustamente me colocaram neste lugar. Infelizmente não posso provar isso ainda, pois não me entenderiam, e mesmo que me entendessem, não aceitariam meus argumentos. Para eles eu não tenho direito de escolher. Visto o que eles querem, como o que me oferecem e só saio daqui com o acompanhamento de um deles.
Não adianta eu nem sequer sonhar em fugir daqui, as grades que me aprisionam são intransponíveis por mim, ser tão frágil diante dessa muralha.
Ainda me lembro do momento em que adentrei neste local. As trevas já se faziam lá fora. Após uma frugal refeição fui conduzido a meu alojamento, uma verdadeira jaula. Às vezes sinto-me como um animal selvagem, preso por não ser capaz de responder por todos os meus atos. Não vejo nada de mau em seguir meus instintos. É uma pena que sou um dos poucos que pensa assim.
Se eu gritar será pior, já tentei outras vezes e o resultado não foi positivo: uma voz grossa e mal humorada me ameaçava.
Minha única opção é esperar pelo novo dia que já vem chegando, no silêncio e na solidão aguardo resignado pela aurora.
Quando sinto o desespero subir a minha mente, começo a pensar em meu passado. Procuro recordações de meus delitos, mas apesar de possuir uma memória fresca, não consigo encontrar culpa que me condene ipso facto a viver nesta prisão.
No momento em que o tédio já me dominava, um raio de luz invade o ambiente e expulsa as trevas que tanto me amedrontavam. Olho para a janela e reparo que a chuva cessou, o céu se abriu e o sol timidamente ilumina as árvores, as casas, os prédios... Vejo em tudo isso um prenúncio da liberdade tão esperada.
Os pássaros despertam alegres e dispostos, cantando por todo lugar e voando para onde seus instintos sopram. Que inveja! Se eu pudesse pelo menos por um dia ter asas e voar...
“- Você não dormiu de novo?” Afirma uma voz, rompendo o silêncio da manhã – apesar de me sentir incriminado pela pergunta, percebo que ela é feita por quem me quer muito bem.
Aos poucos começo a perceber que o que para mim parece uma prisão, na verdade é uma proteção, e que apesar de não me sentir bem naquele lugar, posso ter a certeza de sempre encontrar pela manhã alguém que me ama.
Minha mãe me retira do berço e me consola. Agora nos braços dela sinto-me totalmente seguro e tranquilo para me entregar ao sono dos justos.
Emílio Portugal Coutinho
RA: 4678343