Cinema e a síntese de emoções

domingo, 21 de outubro de 2012



Eu ainda era criança quando vivia com um pequeno mistério (desses que só vivemos quando somos crianças): quase todos os dias, entre um programa e outro, a televisão mostrava comerciais de filmes, alguns porque iam passar mais tarde naquele mesmo canal. Outros terminavam apenas com a mensagem “sexta-feira nos cinemas”. Os “cinemas”... Como deve ser esse lugar onde são exibidos os filmes que não passam na televisão?

Seja por coincidência ou pura obra do destino, no ano que entrei para a escola, ela deu como dica de passeio para as férias, uma ida ao cinema. E meus pais, que ainda estavam maravilhados de ter o primeiro filho na escola, seguiram cada uma das sugestões como uma verdadeira lei. Passeios para o zoológico, planetário, parques, tudo foi muito bom e divertido, mas a única coisa que eu queria, a única que realmente me interessava... Era o cinema.

Por fim, chegou o grande dia. O filme escolhido foi a animação da Disney sendo exibida nos cinemas naquela época, “Mulan”. Hora de descobrir o que eram “os cinemas”. No shopping, em meio a correria para chegar ao local – porque aconteceu algo que se tornaria um hábito nos anos seguintes: chegamos atrasados na sessão – eu não consegui deixar de notar que estava entrando naquele espaço do shopping que nunca fui, mesmo parecendo tão convidativo.

Ingressos comprados, minha mãe foi me puxando para dentro da sala de cinema. Um lugar escuro, um som alto e então... a tela grande. Ali, onde de repente a ficção parecia mais próxima de mim, onde tudo era possível. Não tinha como olhar para outro lugar, aquelas imagens enormes se movendo na tela, aquela história sendo contada de forma única. Não era para pausar, “rebobinar” ou parar pra comer ou beber. Tudo o que havia ali era aquela tela enorme com uma história sendo contada naquele momento especial e mais nenhuma distração.

O melhor de tudo isso é que a única razão para eu lembrar exatamente o que senti na primeira vez em que entrei no cinema... é que essa emoção de ver uma história sendo contada naquela tela enorme, sem mais nada para distrair ou atrapalhar, como um momento único, nunca deixou de existir. Seja com “Mulan” naquele ano ou com “Árvore da Vida”, no ano passado, a tela grande ainda impressiona, ainda encanta e hipnotiza.

Claro que hoje talvez isso se deva pelo fato de eu tratar o cinema não só como algo divertido, mas como uma arte, uma forma de expressão, uma maneira de se refugiar de um mundo que muitas vezes pode nos sufocar. Tensão, choro, gargalhadas, raiva, pena, felicidade... Emoções de uma vida, que podem acontecer todas num período de duas ou três horas. É só apagar as luzes, acender a tela e estar pronto para entrar em mais uma história, em mais um dos tantos mundos fantásticos que o Cinema (assim, com letra maiúscula mesmo) tem para oferecer...

Marcelo Gomes Silva
Sala 201B
Jornalismo - Noturno
RA: 5561811

Jornalismo Fiam - Redação e Expressão Oral I

Espaço reservado aos alunos de Comunição Social - Jornalismo FIAMFAAM. Turma de 2012. Unidade Liberdade - Brigadeiro. SALA 201B - noturno.

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