Momentos...

domingo, 21 de outubro de 2012



Peço que me permitam contar como começou a minha história com o Corinthians e de certa forma, também com o rádio e com a televisão. O ano era 1999 e eu tinha pouco mais de 5 anos de idade e sem entender absolutamente nada sobre futebol - ou quase nada, afinal de contas, já sabia o que era um gol- estava assistindo a mais um jogo do Corinthians com o meu avô, que era um corinthiano fanático. E certo dia, estávamos como de costume na sala. Meu avô, um tanto quanto aflito, estava sentado no sofá e eu sentado no chão, por algum motivo que desconheço, eu não conseguia tirar os olhos da televisão e nem deixar de ouvir os lances no rádio -era um costume nosso ver o jogo na televisão no mudo ouvindo os lances pelo rádio -. 

Era o segundo jogo da semi-final do Brasileirão daquele ano. Contra o São Paulo, em pleno Morumbi, aquela tensão toda, afinal de contas, já era um grande clássico e os dois times eram ótimos. São Paulo tinha Raí, Rogério Ceni, etc.. O Corinthians tinha Marcelinho, Ricardinho, enfim, eram dois timaços. Ai, lembro de estar vendo o jogo e não me lembro de todos os lances, mas lembro que saímos na frente no placar, ai já sabe, aquela festa, meu avô comemorava muito com aquela vitória parcial, mas infelizmente, não durou muita coisa. O São Paulo empatou com o Raí. 1x1. 

 Aquele clima de apreensão voltou a tona, meu avô xingava os jogadores, e só se acalmou quando o Corinthians voltou a ficar a frente do placar com um golaço do Ricardinho. 2x1. E muito se enganou quem achou que seria só aquilo... Sinceramente, minha primeira memória do Corinthians haveria de ser sofrida, como manda o figurino. E foi. Como foi. Algum tempo depois o São Paulo empatou o jogo novamente. 2x2. Ali o desespero já contava conta até de mim que nem entendia de futebol na época(creio que se visse esse jogo com a minha idade de hoje, eu teria enfartado) e um certo lance, sofremos um pênalti, quem iria bater? Ele. Lógico. Marcelinho Carioca bateu e converteu. 3x2.

 Tudo parecia estar certo. Só parecia. Algum tempo depois o São Paulo sofreria um pênalti, lembro do meu avô coçar a cabeça e falar: Agora, complicou. Eu então senti aquela emoção estranha pela primeira vez. Sentia o suor escorrer pelo rosto e um arrepio de emoção, sabia que não tomaríamos o gol. Eu sentia. Nosso goleiro na época era o Dida, como já devem ter visto, o sujeito não gosta muito de demonstrar emoções. E lá estava ele, com o rosto fechado, encarava o Raí(que na época era considerado um carrasco nosso) e lá estava o momento decisivo. Raí avançava para a bola, o lance corria todo em câmera lenta, Raí batia na bola que ia aos poucos para o canto esquerdo de Dida e lá estava nosso goleiro defendendo bravamente o pênalti! E a torcida se aliviava um pouco, já era alguma coisa.

 E o dia ainda tinha algumas emoções reservadas. O São Paulo haveria de sofrer OUTRO pênalti. Acho que nem preciso falar que meu avô nem assistir ao jogo estava mais não é mesmo? Ele já havia se mandado pra cozinha e só tinha me falado: Se o Dida pegar a bola, você me chama. Bom, lá estava eu então, encarando a televisão esperando o outro pênalti ser batido e de novo a cena se repetia com o Dida impassível, era fora do normal. E Raí corria pra batida, dessa vez, no canto direito do Dida, e ele foi buscar. E pegou. E se machucou. 

 Já se passavam dos 46 do segundo tempo, o Dida saia de campo machucado e entrava o Maurício, nosso goleiro reserva. O São Paulo ainda tentou pressionar mais uma vez, mas não conseguiu, o goleiro reserva fez uma linda defesa e evitou o que seria o gol de empate. O juiz apitaria o final do jogo alguns minutos depois, a semi-final havia passado e eu e meu avô comemorávamos. Naquele mesmo ano o Corinthians se faria tri-campeão nacional.

 E por essa e várias outras emoções, sou grato ao Corinthians. Ele, e certa forma, uniu minha família. Ele me trouxe várias lições para a vida, como não desistir daquilo que se quer, como não dar ouvidos as críticas que só servem para te derrubar, como seguir em frente depois dos momentos difíceis. O Corinthians além de ser um dos meus amores, me trouxe outro imenso amor, a minha namorada que eu tanto amo.

 Por tudo isso e muito mais, eu digo que o Corinthians não é só um time, desde sua fundação ele nunca foi só isso, ele sempre esteve além disso, por isso, hoje eu tenho o maior orgulho do mundo em poder bater no peito de dizer que torço para o maior do mundo. Dizer que tenho como amor um time e com tudo isso, eu me sinto de no mínimo fazer essas linhas para ti, Corinthians, sei que mereces mais, mas no momento é o que posso oferecer-lhe pelos teus suados 102 anos, onde, em pelo menos 13 deles, você vem me fazendo feliz. 

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Nickolas de Carvalho Ranullo
RA: 561311

Jornalismo Fiam - Redação e Expressão Oral I

Espaço reservado aos alunos de Comunição Social - Jornalismo FIAMFAAM. Turma de 2012. Unidade Liberdade - Brigadeiro. SALA 201B - noturno.

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